“Uma obra de arte, forma acabada e fechada em sua perfeição de organismo perfeitamente calibrado, é também aberta, isto é, passível de mil interpretações diferentes”
Umberto EcoVisão Editorial
Há uma seiva tenaz quando a publicação instiga e formula questões que vertem do pensamento crítico. Independentemente do formato, impresso ou digital, sua potência é revelada quando um texto dissolve certezas, por vezes paradoxais, e amplia possibilidades de interpretação.
Eis o que sempre me interessou. A poética, aliás, nutre a alma e meus escritos.
São as histórias por trás das histórias — as perguntas, mais do que as respostas — que me movem. A pluralidade que se desdobra na tessitura de filosofias e ecoa nas mais diversas expressões da criatividade humana. Reflexões, por vezes antagônicas, outras em sincronicidade, que afiam o olhar e desvelam camadas críticas.
Recortes Culturais nasce dessa busca incessante. Dar vazão a diferentes maneiras de pensar na tríade arquitetura, arte e design. Ao longo de mais de duas décadas em comunicação, edição e jornalismo, minha prática sempre buscou desbravar esferas reflexivas.
Em tempos de informação repetitiva e vazia, esta plataforma híbrida pretende ser um experimento. Propõe leitura atenta, sem pressa, que busca densidade crítica mesmo ancorada no meio online.
Revisito Umberto Eco, em Obra Aberta (1962), para explicar o âmago editorial: a obra mantém sua forma e se completa na relação com quem lê, vê ou escuta. A esse pensamento somam-se as contribuições de Michel Foucault, que descobri em meu mestrado na Sorbonne, e a poesia, que entremeia minha escrita, desde o início.
Nos últimos anos, ao editar e assinar matérias de capa e entrevistas com Gaetano Pesce, Mario Botta, Bjarke Ingels e Carlos Motta, entre outros, reverberam perspectivas distintas e essenciais à construção do pensamento crítico.
A intenção é intensificar o exercício de investigação, em ensaios, entrevistas e imagens em fruição. Irradiar visões poliédricas.
Fragmentos de uma trama que se completam na participação de quem lê.
Débora Mateus